"Vem, Senhor do Caos, reinar sobre nós..." | O auge de A Roda do Tempo
Depois do sensacional As chamas do paraíso, que, é preciso confessar, tinha certas partes terríveis (alô, Nynaeve, Elayne & o circo?), tive medo de o sexto volume ser ótimo em certas partes, mas fraco em outras. Qual não é a minha surpresa em dizer que gostei de tudo nesse livraço (tirando uma pequeníssima parte, da qual vou falar mais pra frente).
Com o maior prólogo já visto, o livro já começa com um senhor pé na porta nos levando nada menos do que à própria Shayol Ghul e ao Poço da Perdição. A partir de então vamos ter um livro denso, tanto em ação quanto em desenvolvimento de tramas. Não senti nenhuma enrolação desnecessária e muita, mas muita coisa mesmo ocorre nesse livro. Temos mais pontos de vista dos Abandonados (capítulos que sempre me fascinam), além do melhor final de todos os tempos. Fique atento para os Poços de Dumai...
Como eu disse, o livro é bastante denso, principalmente durante os capítulos do Rand, que precisará lidar com todos aqueles nobres e com as duas facções da Torre Branca, que tentam ganhar sua lealdade. Mesmo denso, o enredo é muito instigante e te dá sempre vontade de continuar, e as partes do Rand foram as melhores, o personagem amadureceu horrores e o seu enredo em OSDC é de fato muito bom. Nynaeve e Elayne até que estão muito bem, avançando em descobertas impressionantes relacionadas ao Poder Único, com a "ajuda" de Moghedien, embora eu ache que as duas praticamente se tornaram a mesma personagem, de tanto tempo que passam juntas; não sei especificamente o que Elayne fez ou o que Nynaeve falou, só sei como se desenvolveu o enredo delas, acho que é um ponto falho do Jordan, elas não são suficientemente distintas.
Egwene, que tinha dado uma bela bela sumida, finalmente retorna e agora se vê tendo que lidar com as Sábias Aiel, ao mesmo tempo que se depara com uma decisão difícil. O Mat não apareceu tanto, mas teve uma história bem bacana, já o Perrin... Ele retorna nesse livro, depois do desaparecimento no Chamas, mas aparece bem pouco mesmo, o que me fez feliz, já que detesto com todas as forças a Faile. Perrin era um dos meus personagens favoritos, mas desde que começou seu relacionamento com a Faile, ficou completamente estragado pra mim... É realmente uma pena. Foi justamente o retorno dela que achei a pior parte do livro (não é grande, graças à Luz). Também descobriremos a quem Morgase anda se aliando pra conseguir tomar seu trono de volta, e veremos as Aes Sedai cometerem a maior loucura da série...
A edição brasileira, como sempre, está lindíssima e muito bem diagramada, traduzida, revisada e composta. É um senhor calhamaço bonito e bem feito que dá gosto de ter na estante pra admirar. É um cuidado que adoraria ver em outras obras de fantasia.
Enfim, esse livro realmente elevou os padrões da saga e se manteve incrível do começo ao fim, expandindo a história, nos apresentando coisas e lugares novos (eu queria muito um spin-off só dos Abandonados), e nos deixando extremamente com vontade de começar o sétimo volume (coisa que já fiz rs), que tomara que a Intrínseca traga ao Brasil o quanto antes.
Cantam os leões, os montes fogem em rol.
De dia brilha a lua, de noite vem o sol.
Mulher cega, homem surdo, corvo atroz.
Vem, Senhor do Caos, reinar sobre nós.
(cantiga infantil ouvida na Grande Arvalon, da Quarta Era)


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